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SAL DE AVEIRO
Epopeia dos marnotos

Quem estende a vista pela imensa planície líquida da Ria de Aveiro e a fixa no caprichoso mosaico composto pelas marinhas de sal, está longe de se aperceber do esforço heróico do marnoto aveirense.

O que ele luta, Santo Deus, para arrancar das águas lagunares os cristais de sal...

A região de Aveiro não goza de condições climatéricas propícias a uma fácil e regular evaporação. Por isso o marnoto tem de multiplicar os seus esforços para suprir as deficiências climáticas.

Numa passagem desse admirável monumento da nossa Literatura - A Holanda, de Ramalho Ortigão, lê-se esta impressionante verdade:

– «Deus fez o Mundo, e o holandês fez a Holanda».

Ora, parafraseando aquela legenda de Ramalho pode dizer-se:

– A Natureza cria o sal, mas o marnoto aveirense faz o seu...

Se é certo que o Sol e o Vento são os grandes geradores do Sal, provocando a evaporação da água salgada enclausurada em recipientes expostos à sua acção no Salgado de Aveiro é o marnoto o sublime escultor dos seus finos cristais.

Artigo de Victor Manuel Machado Gomes, para ler na íntegra aqui

Maio de 1967


 




Data: 2013-02-23

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